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O século 20 tem sido um século fecundo para a ciência, no qual desafios novos são colocados à competência explicativa das teorias, hipóteses, premissas e leis fundado- ras do pensamento científico moderno. A re- latividade de Einstein, a microfísica, a ter- modinâmica, a microbiologia têm ampliado o universo das indagações dos cientistas, que cada vez mais se vêem confrontados com novas verdades e com incertezas sobre algumas verdades há muito estabelecidas. Além disso, novos campos de aplicação e novos usuários dos conhecimentos gerados nos laboratórios do tão restrito universo da academia suscitam, felizmente, uma neces- sária reflexão ética no meio acadêmico e fo- ra dele. Ciência com consciência enfrenta o du- plo desafio: apontar problemas éticos e mo- rais da ciência contemporânea, cujos múlti- plos e prodigiosos poderes de manipulação, nascidos das tecnociências, têm imposto ao cientista, ao cidadão e à humanidade inteira o problema do controle político das desco- bertas científicas, e a necessidade epistemo- lógica de um novo paradigma que rompa os limites do determinismo e da simplificação, e incorpore o acaso, a probabilidade e a in- certeza como parâmetros necessários à com- preensão da realidade. Retomando a discussão sobre a ciência moderna, Edgar Morin critica o paradigma clássico que se fundava na suposição de que a complexidade do mundo dos fenômenos podia e devia resolver-se a partir de princí- pios simples e leis gerais
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